Eventual rejeição dos acionistas da BrT à troca de ações não causaria danos graves ao dia-a-dia da operadora, segundo o mercado.
Na manhã desta quarta-feira (16/6), uma assembleia geral de acionistas da Brasil Telecom (BrT) vai decidir se aprova os novos termos da troca de ações com a Oi. Uma rejeição representaria mais uma tentativa frustrada da operadora conduzida por Luiz Eduardo Falco de concluir a união com a BrT, adquirida em abril de 2008 por 5,9 bilhões de reais. Mas, ao contrário das outras vezes, isso não seria visto de modo tão negativo pelo mercado, por um fato novo: o eventual interesse da Portugal Telecom em entrar no capital da Oi. "A Oi é um bom investimento, e os portugueses chegariam com uma estratégia de longo prazo para a empresa", afirma o analista Raul Aguirre, da consultoria A.T.Kearney.
É cada vez maior, no mercado, a aposta de que a venda da fatia da Portugal Telecom na Vivo à Telefônica é apenas uma questão de tempo. Basta que os espanhóis apresentem uma boa oferta para o negócio ser fechado. Para não perder espaço no mercado brasileiro de telefonia – um dos que mais crescem no mundo -, o passo seguinte dos portugueses seria investir na Oi, segundo a avaliação do mercado. Mesmo que a Oi não complete no curto prazo a integração com a BrT, não haveria problemas para que a Portugal Telecom entrasse em seu capital. "A questão dos minoritários pode ser resolvida depois", afirma Aguirre.
Efeitos da rejeição
Se uma negativa dos acionistas da BrT na assembléia desta quarta não é um empecilho para um possível desembarque da Portugal Telecom na Oi, também pesaria pouco no dia-a-dia da operadora. Na prática, a empresa e a BrT já atuam de modo integrado. Assim, a Oi continuaria com os investimentos em expansão em telefonia móvel, internet, banda larga e TV.
Isso não quer dizer que um mau resultado na assembléia desta quarta seria indolor. O primeiro são os custos de manter duas empresas listadas na bolsa. Ao trocar as ações da BrT pelas da Oi, o objetivo final da operadora seria cancelar o registro de capital aberto da BrT. "Quando há uma aquisição desse porte, é normal que uma das empresas deixe a bolsa", afirma a analista Kelly Trentin, da Spinelli Corretora. Além de simplificar a estrutura de capital, a medida tem um caráter prático: cortar custos com estruturas de supervisão do mercado, divulgação de documentos, etc. Uma fonte da operadora estima que se a troca de ações for aprovada, a Oi poderá economizar 25 milhões de reais por ano com despesas administrativas.